Teste de Bechdel

Bechdel.pngUma das grandes pautas do feminismo atual fala sobre a representatividade das mulheres – seja na política, nas empresas ou até mesmo em Hollywood. Discutimos muito a questão: se somos 50% da população mundial, porque não temos 50% de mulheres nesses locais?

O Teste de Bechdel foi criado em 1985, pela cartunista Alison Bechdel, e visa exatamente verificar a participação feminina na indústria cinematográfica (também podendo ser aplicado para livros, séries, jogos e outras mídias), através de três perguntas:

1) Existe mais de uma mulher (com falas e/ou nome) nesse filme?

2) Essas mulheres conversam entre si?

3) Elas conversam sobre algo que não seja um homem?

Parece simples, não é mesmo?

O problema é quando você VÁRIOS filmes famosos e aclamados que não conseguem responder afirmativamente a estas três perguntinhas (como Star Wars, O Senhor dos Anéis, Piratas do Caribe, 11 homens e um segredo, vários filmes da série Velozes e Furiosos…).

Não estou dizendo que o Teste de Bechdel é uma medida de qualidade do filme – muitos filmes bons não passam no teste (oi, Senhor dos Anéis!). Ele nem mesmo é um teste que vai responder se o filme tem uma temática machista ou não. Ele é só um primeiro instrumento que busca a discussão de um problema: a falta de representatividade feminina.

Dizem as más línguas que filmes com ou sobre mulheres não vendem, que o público não gosta de consumir esse produto (a não ser que sejam filmes de heroínas com pouca roupa). Só que o buraco é bem mais embaixo: a indústria hollywoodiana está dominada por homens – são eles que escrevem os roteiros, dirigem e produzem os filmes – e quando eles finalmente resolvem falar sobre mulheres, caem nos mesmos clichês: ou é uma comédia romântica água-com-açúcar com uma protagonista cabeça dura ou bobinha ou então temos uma atriz fazendo um personagem que na verdade é totalmente masculino e só colocaram uma mulher ali “para ninguém reclamar”.

Querendo ou não, nós, como sociedade, ainda temos uma visão muito limitada de quem são as mulheres ou do que é “coisa de mulher” (que atire a primeira pedra quem nunca disse “ai, que mulherzinha mais fresca” ou algo do tipo). Os filmes podem não ser a causa disso, mas com certeza ajudam na perpetuação dos estereótipos.

Trabalhar isso dentro da indústria do cinema (e da literária, dos games, etc) também é trabalhar a questão enquanto sociedade – e, quem sabe, eliminar um pouco da discriminação de gênero que vemos por aí.

Precisamos conversar sobre isso.

Um beijo e até a próxima.

Malu Chan

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